Jorge Lucio de Campos
Nove Poemas / Nine Poems
(translated by the author)
Jorge Lucio de Campos was born (1958) in Rio de Janeiro, Brazil. He is an Associate Professor of Philosophy and Theory of Communication and Culture at Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) of the Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). As a poet, he published the books Arcangelo (EdUERJ, Rio de Janeiro, 1991), Speculum (EdUERJ, Rio de Janeiro, 1993), Belveder (Diadorim, Rio de Janeiro, 1994), A dor da linguagem (Sette Letras, Rio de Janeiro, 1996), À maneira negra (Sette Letras, Rio de Janeiro, 1997) e Prática do azul (Lumme, São Paulo, 2009). His poems, essays and interviews circulate in various printed and virtual magazines and sites. He participated of the anthology (organized by brazilian poets Claudio Daniel and Frederico Barbosa) Na virada do século: poesia de invenção no Brasil (Landy, São Paulo, 2002).
previous page contents next page
(translated by the author)
BUKOWSKI Uma democracia de pó constrange a ruptura Um processo de pó persegue a urgência Um delírio de pó um país cotidiano O MELHOR OESTE a Eric Fischl Ela sabe o quanto gosto de flamingos afilados – de ter onde me esconder : uma praia, encosta ou bosque – um lugar onde se possa ler – em voz bem alta – um novo dia de sol SOL QUALQUER a Vasko Popa Não vem de mim o que me anula. O traço que me crava em algo que me cruza (e, sem cessar me ajusta) me fabrica fora. Mesmo assim deslizo entre meus dedos. FALAR E OUVIR O amor é assim : um verde-mofo incandescente que mistura códigos e faz da aurora um xale negro muito forte – bem a sós INCANDESCÊNCIAS O desejo me confunde tão disposto a nada A carne do mundo − o cabelo descuidado a testa guarnecida o nariz de corredeiras – por favor, trace uma linha em meu costado de um lado ao outro agora, a cicatriz no olhar, a emoção aberta a luz da voz tremida a vida que já foi gentil − brilhei no escuro ontem um sonho enviesado SUCÇÃO a Helmut Newton 1 Desabar será assim: um cut up? Primeiro os dentes, agora os pelos: tudo cai, se descola, despenca. 2 Isso já não cabe aqui. Sentir o que ao engolir o próprio gosto? 3 É como ser coisa alguma. Prefiro deleitar-me, desolar-me, cavalgar no grelo da lua. 4 Outros dias surgirão desse mau hálito. 5 Lamento ser isso: um detalhe bege no maleiro do closet. 6 Já não capto o flou de losangos que a angústia busca. 7 Viro, no fundo, algo a mais que mim mesma. 8 Pois bem: um farol e um calcanhar de violetas. 9 Polainas não se ajustam à aura das lágrimas 10 Eis que me sinto esquiva porosa que rend omem order. 11 Basta que os olhos se abram e o mundo se encaixe. 12 Na voragem de braços, raspar a boceta ao meio-dia. TRÓPICOS Sinto nojo dessas noites quentes – coalhadas de calmarias – em que furos na parede são túneis do tempo TEORIA DO BELO Desejo gesta um tom siena em tua pele Eu, embaixo envergonhado Tu, em cima seios cheios de perdizes FILIGRANAS 1 O poeta dorme – por temer seu sono apressamos o poema 2 No espelho os olhos são dedos 3 De resto o olhar prostituto se afasta da boca | BUKOWSKI A democracy of dust constrains the rupture A process of dust pursues the urgency A delirium of dust a quotidian country THE BEST WESTERN for Eric Fischl She knows how much I like sharp flamingos − a place to hide myself : a beach or hillside or forest – a place where I can read – in a loud voice – a new sunny day ANY SUN for Vasko Popa It doesn´t come from me what nullifies me. The trace that nails me in something that crosses me (and without ceasing adjusts me) that forges me out of myself. Even so I slide between my fingers TO SPEAK AND TO LISTEN Love is so: a glowing green mold that mixes codes and makes dawn a black shawl very strong − too lonely INCANDESCENCES The desire confuses me so willing to nothing The flesh of the world − the shaggy hair the protected forehead the nose of rapids Please draw a line in my back now one side to the other − a scar on the look the open emotion the light of shaky voice the life that was already kind − I did glow in the dark yesterday a skewed dream SUCTION for Helmut Newton 1 To pull down will always be like this: a cut up? First the teeth, now the hair: everything falls, everything is off, everything collapses. 2 This no longer fits here. What I feel when I swallow my own taste? 3 It’s like not to be anything. I prefer to delight myself, to dismay myself, to ride on the clitoris of moon. 4 Other days will come from that bad breath. 5 I’m sorry to be so: a beige detail in the closet luggage locker. 6 I can’t capture the fading lozenges that the anguish search. 7 Deep down, I turn something more than myself. 8 Well: a lighthouse and a heel of violets. 9 Gaiters do not fit the aura of tears. 10 That is I feel evasive and porous and wanting to bite myself. 11 It’s sufficient that the eyes are opened and the world fits them. 12 In the maelstrom of arms, to shave the pussy at noon. TROPICS I feel disgust for these hot nights curdled lulls – where holes on the wall are time tunnels THEORY OF BEAUTY The desire conceives a sienna tone in your skin I under you ashamed You over me − with your breasts full of partridges FILIGREES 1 Poet sleeps – Fearing his sleep we hurry the poem 2 Eyes are fingers in the mirror 3 Moreover a prostitute looks move away from the mouth |
Jorge Lucio de Campos was born (1958) in Rio de Janeiro, Brazil. He is an Associate Professor of Philosophy and Theory of Communication and Culture at Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) of the Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). As a poet, he published the books Arcangelo (EdUERJ, Rio de Janeiro, 1991), Speculum (EdUERJ, Rio de Janeiro, 1993), Belveder (Diadorim, Rio de Janeiro, 1994), A dor da linguagem (Sette Letras, Rio de Janeiro, 1996), À maneira negra (Sette Letras, Rio de Janeiro, 1997) e Prática do azul (Lumme, São Paulo, 2009). His poems, essays and interviews circulate in various printed and virtual magazines and sites. He participated of the anthology (organized by brazilian poets Claudio Daniel and Frederico Barbosa) Na virada do século: poesia de invenção no Brasil (Landy, São Paulo, 2002).
0 Comments:
Post a Comment
<< Home